Uma verdade desconfortável: chaves para proteger às crianças do abuso sexual

Uma da cada quatro crianças e um da cada cinco crianças sofreu, sofre ou sofrerá algum tipo de abuso sexual durante sua infância.

A primeira vez que escutei este dado se me pôs a carne de galinha. Depois de ter sido mãe, a cada vez que o lembro, me tremem as pernas. Mas olhar para outro lado, obviar um tema desconfortável, não ajuda, senão todo o contrário. O silêncio, o tabu, a negação, não fazem mais que encobrir aos abusadores dando motivo a que estas situações se sigam dando. Mas, pode ser evitado o abuso?

Há já dez anos conheci, por temas de trabalho, a Vicki Bernadet. Vítima de abusos sexuais em sua infância, decidiu dedicar sua vida a lutar contra esta barbaridad, criando uma fundação, em Catalunha, que leva seu nome. Não o teve fácil. Porque é um tema tabu, nada atraente para administrações, políticos e também não para instituições financiadoras.

Segundo os escassos estudos que há sobre o tema (a falta de dados em nosso país não deixa de ser uma amostra mais do “desconfortável” que resulta), o 80% dos abusos se dá no meio de confiança do menor: familiares, amigos da família, escola e de modo geral o que se considera “círculo próximo”: professores, monitores, cuidadores, etc. E o que é pior, a maioria das vítimas não o denunciam, não o contam, e portanto, não recebem ajuda.

Há umas semanas meus caminhos voltaram a encontrar-se com os de Vicki (embora a relação manteve-se estes dez anos por trabalho, por amizade e por admiração pessoal que lhe tenho), porque assisti a sua impactante conversa no TEDx Madri, que neste ano tinha como tema central a confiança. E sua mensagem deixou-me pensando, e quero-o compartilhar: a confiança educa-se.

Quero-vos convidar a ver sua conversa, porque como pais e mães temos uma enorme responsabilidade neste tema. E não se trata de “emparanollarse”, nem de se converter em pessoas desconfiadas, mas está claro que jogamos um papel finque em como educar a nossos filhos e filhas para que sejam capazes de identificar situações de abuso.

Há muitos mais que têm que fazer seu papel (instituições que implantem protocolos específicos para evitar possíveis abusos, profissionais bem formados para detectar e/ou os tratar, e também médios de comunicação que devem fugir do titular fácil e com carnaza para conscientizar de uma temática, que provavelmente a vocês e vocês, como a mim, também vos assusta).

Como acho que Vicki o conta todo e o conta muito bem, não digo mais, vos deixo com sua conversa. São 15 minutos onde se dão muitas pautas para famílias. De coração peço-vos que o vejam.

Entre Nais  Conchi

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